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Aqui a poesia é amadora. A música e a fotografia, amadoras. Tudo dentro deste peito é amador.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

sobre os anéis e os campos


     Como se já não se soubesse que em poetas, desligados e outros tontos, há, me parece, um campo magnético protetor. As coisas todas que não servem, é que se desviam. Mas eu falo tonto, não sonso, nisso há diferença de inverso.

        Um bêbado que não se sabe como chega em casa, se o cachorro da porta do bar que o guia ou a sombra dos postes no caminho. No bolso o crachá de trabalhador. As coisas do caminho é que parecem se desviar. Vai saber dele... Não me atrevo. Todo mundo tem um motivo uma hora ou outra.


         De repente, eu atravesso a rua distraída. Um carro vira a esquina a toda. Gente grita - Uhh! - Como num quase gol, não pegou. Foi por um triz. Que sorte. É o campo. Já de longe, um elogio do motorista paulistano. Me lembro então da Iracema, a do Adoniram, que o carro pinchou ela no chão. E o chofer não teve "curpa". E nem um retrato dela, ele guardou. Só as meias e os sapatos. Engulo seco, me corta o peito também, a voz do Adô. Prometo ao céu prestar mais a atenção. E é pra ele, que eu caminho olhando. Feito coisa de tonto. Olha lá caindo um balão... Pensamento vertical. 



       O que eu pensei? Já vuou. Deve de servir para compor os bambolês de Saturno as coisas que eu penso. Melhor para o alto. Porque pensar pelas ruas de cabeça baixa, faz de o pensamento cair deitado de braços abertos nas calçadas, junto com os folhetos de implantes dentários e compra de ouro e prata. Abandonado de ninguém querer.E as coisas alheias, seguem assim, se desviando de mim. 

          É o campo.













sábado, 13 de julho de 2013

Mas tudo bem, o dia vai raiar


E então, às vezes, tenho disso. 
De correr em direção ao primeiro jardim e pedir que as flores me
façam um pouco de silêncio. 
E elas trocam seus aromas por alguns dos meus suspiros.
Eu tenho qualquer coisa com cheiros.
Ele era um bandido, mas era tão perfumado... Já aconteceu. 
Ou, como quando volto assustada do centro da cidade, com o cheiro cinza-chumbo-buzinado que a chuva grudou em mim.





Fotografia - alecrim | Ziris








quinta-feira, 4 de julho de 2013

Céu de gravidades

Aposto que você tem pintinhas nas costas. 
Uma noite, eu pensava nelas como estrelas num
céu de cores invertidas. 
Contava-as com a ponta dos dedos e criava 
universos paralelos com naves invasoras e alienígenas curiosos. 
De ligar os pontos, desenhei alguns montes, 
uma árvore, uma ave e uma flor. 
De um canto a outro das tuas costas fiz um quintal
com a nossa casa no meio.
E apaguei tudo num carinho, antes que a gente acordasse.









Fotografia obtida junto ao Tumblr.  Tratada e adaptada para o texto.