Como se já não se soubesse que em poetas, desligados e outros tontos, há, me parece, um campo magnético protetor. As coisas todas que não servem, é que se desviam. Mas eu falo tonto, não sonso, nisso há diferença de inverso.
Um bêbado que não se sabe como chega em casa, se o cachorro da porta do bar que o guia ou a sombra dos postes no caminho. No bolso o crachá de trabalhador. As coisas do caminho é que parecem se desviar. Vai saber dele... Não me atrevo. Todo mundo tem um motivo uma hora ou outra.
De repente, eu atravesso a rua distraída. Um carro vira a esquina a toda. Gente grita - Uhh! - Como num quase gol, não pegou. Foi por um triz. Que sorte. É o campo. Já de longe, um elogio do motorista paulistano. Me lembro então da Iracema, a do Adoniram, que o carro pinchou ela no chão. E o chofer não teve "curpa". E nem um retrato dela, ele guardou. Só as meias e os sapatos. Engulo seco, me corta o peito também, a voz do Adô. Prometo ao céu prestar mais a atenção. E é pra ele, que eu caminho olhando. Feito coisa de tonto. Olha lá caindo um balão... Pensamento vertical.
O que eu pensei? Já vuou. Deve de servir para compor os bambolês de Saturno as coisas que eu penso. Melhor para o alto. Porque pensar pelas ruas de cabeça baixa, faz de o pensamento cair deitado de braços abertos nas calçadas, junto com os folhetos de implantes dentários e compra de ouro e prata. Abandonado de ninguém querer.E as coisas alheias, seguem assim, se desviando de mim.
É o campo.