.
.
.
.................................
Aqui a poesia é amadora. A música e a fotografia, amadoras. Tudo dentro deste peito é amador.

.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Tempos longos esses...




Dia desses, passei a assinar meus bilhetes com uma bela carimbada do dedo polegar colorido de tinta, cada uma de uma cor, imaginando quem pudesse descobrir a verdade por trás do escrito.
Mas quem os encontrava primeiramente pensava -  e essa agora?!?!
Tempos longos esses... Meu gato quase aprendendo a falar ou eu a miar... No armário, comida por ordem alfabética. Uma fornada de biscoitos sorridentes no forno. Me pego atravessando o corredor de olhos fechados e julgo um feito chegar até o quarto sem dar nenhuma topada. Na quina da porta um Louva Deus gesticula sua admiração. É impressão ou as paredes avançaram vida adentro? Pra mostrar coragem eu saio, até o quintal, trepo no galho mais forte do abacateiro, e ensaio um vôo na sombra dos braços esticados. De cima é tudo tão maior... Um distinto inseto se apresenta ao nariz do cão. Cinco Beija-flores arruaçando, bem uns seis Bem-te-vis voando e um Canário na gaiola do Alemão. A joaninha caminhando nas pétalas no Girassol, quer conversa não. É impressão ou a vida espia tudo, com sombrancelhas absortas? O olhar vai entardecendo. As nuvens formando borrão. Pra botar a cama, capricho nas dobras do lençol. Hora de me deitar e o olhar levantar, coração palpita no portão...



8 comentários:

  1. É preciso emplumar as asas arfando os vazios né?

    Você faz isso com tanta delicadeza.


    Te abraço forte.

    ResponderExcluir
  2. Fico pensando aqui comigo, qd é que algo nessa vida te roubaria a doçura. Tenho medo de gastar a vida perguntando... Gosto do seu tom respeitoso, em todos os seus textos, é o que mais gosto. E as coisas invisiveis tbm, as escondidas. Nunca descubro numa lida só ehhe.

    E o inseto distinto... foi a parte que mais gostei ehehe Linda!

    Parabéns de novo. Vai, continua aí transformando tudo, ou descobrindo tudo.

    Abraço de urso com saudade

    ResponderExcluir
  3. Palpitei aqui, meu coração.
    que suavidade menina, isso
    chega a ser mágico!

    Beijão no portão!

    ResponderExcluir
  4. É tão... é tão humano!
    É preciso estar atento e ter a mente muito clara para perceber todos estes detalhes.
    Para notar a nossa fragilidade diante de nossa própria força.

    Por que a vida acontece,
    E acontece que as vezes a gente não vê.


    Beijo grande, Ziris.
    E muito obrigado pelas palavras afáveis,
    e os gestos tão gentis!

    ResponderExcluir
  5. Olá moçoila,te achei num comentário lá pela minha constelação...Parabéns pelo lugarzinho tão aconchegante!
    beijos no coração

    ResponderExcluir
  6. Como tudo que é moderno, a vida tornou-se modular. Empilham-se os módulos e restringem-se os epaços de circulação. Somos formigas numa estreita canaleta tomando a folha pela árvore. É todo o verde que alcançamos. O louva deus é o mistério verde que se move. A transcendência do quintal em parede urbana. Nunca vi um desses em Copacabana, por isso recorro a um flash back de alpendre da infância. A tecla de que mais gosto é o rewind.

    ResponderExcluir
  7. Meu querido amigo Beré, de quem tenho tantas saudades...

    Será você um exemplar raríssimo, guardado numa prateleira muito muito alta de um Sebo onde por sorte minha, quase ninguém entra? Veja, a solitária aqui sou eu e não que eu deseje isso a você mas acredito que um dia ainda vamos nos casar. Por enquanto eu ainda sou um outro exemplar raríssimo, esquecido numa prateleira muito, muito alta, esperando ser lida, amada, compreendida, para depois me aconchegar junto a ti, numa prateleira muito muito alta...

    E muito me parece que só você possui esses óculos interessantes...

    Te abraço

    ResponderExcluir
  8. Tens um olhar poético pra vida ou será que é a menina um pote a transbordar depoesia...haja mel pra te fazer viu, és o canto que um beija-flor beijou...linda, linda.

    Amei o texto, até me senti mais leve, graciosamente leve.

    Um beijo pra ti menina bonita.

    Erikah

    ResponderExcluir