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Aqui a poesia é amadora. A música e a fotografia, amadoras. Tudo dentro deste peito é amador.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

O retorno



Era eu entre aspas. Sugada pelo susto para dentro do mudo retrato... Recolhendo despedidas com os dedos.
Eram os minutos desmaiando sua lâmina afiada pelos meus pensamentos plantados em algum lugar no chão, fatiando a memória como se eu tropeçasse no pretérito de minhas anêmicas lembranças.
Era eu flutuando no ar feito partículas dissipadas sobre o instante...
Era meu coração recortado... Como se fosse apenas uma silhueta vazada por onde o vento cortava caminho. Era eu página virada. E os pingos de chuva franzindo a imagem pintada nas poças dos meus olhos. Era eu chutando sonhos esfumaçados que brotavam do asfalto quente...
Por dentro, o eco. O retumbar fugidio de quem viveu de palavras e as recebeu nunca, que perdeu o paradeiro de uma caneta seca de nada sentir e sentia enfim... Era a alegria tumultuada de quem sorri como uma borboleta que se entrega sem resistência ao abraço do vento, salva da neutralidade ou de qualquer sentimento rasurado.
Eram as palavras escapulindo afoitas do meu peito. Logo eu, a mulher mais fraca que já conheci, que espiava fantasmas escondida por dentro dos olhos, agora arrancando letras soltas do meu piano de contar. Era eu, aureolada pelo verbo que dependurava em linhas eternas as sensações de apenas um segundo. A visão, este conto contado pelos olhos. Foi demais para mim.
Pois há esta desmesurável chance em minha escrita. Esta contradição que rompe com flores o véu do silêncio.
Era eu sem mais temer a descontinuidade das coisas.
A cada palavra que se completava no papel, um pedaço que faltava, colava-se novamente ao coração.  




Quando a dor se aproxima
fazendo eu perder a calma
passo uma esponja de rima
nos ferimentos da alma.

O espetáculo não pode parar...


Cordel do fogo encantado

17 comentários:

  1. Adorei!!!


    Estou passando por aqui para convidar você para conhecer meu blog.

    Quando puder passar por lá,vai ser um prazer ter sua companhia.

    bjs

    www.tatidesignercake.blogspot.com

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  2. Ziriiiiiis!!!!

    Minha querida, tão bom ver postagem sua aqui, deixe as palavras escapulir do peito menina que são lindas e me faz bem lê-las!

    Beijos e beijos!!

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  3. Um retorno que compensa com muitas sobras a longa ausência. Admirável esse 'se olhar', se traduzir em tantas imagens o lapso ou os vários lapsos que um instante pode conter (coisas quânticas). Penso que sejamos muitas coisas ao mesmo tempo, sempre em transformação, mas ao mesmo tempo se ajustando para que o somatório seja sempre muito parecido para quem nos vê. Bendita a Literatura, que permite essa análise dos interiores. Principalmente os ricos como o seu.

    Beijos

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  4. Era eu a abrir a tela, como se estivesse diante do mar, a esperar por um barco que se faz presente junto ao horizonte, ainda distante, mas que aos poucos vai se mostrando real e na lentidão dos minutos, ele atravessa uma vida inteira e se entrega ao cais. É só correr ou caminhar para o abraço.bacio

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  5. E esse retorno ficou reluzente quando tuas letras tocaram o jardim do meu coração. Choveu alegria aqui. E a ternura pintou o céu de doçura.

    Lindo.
    beijos

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  6. Depois de tudo que era, agora é tempo de tudo que pode ser.

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  7. Vanessa14.4.11

    Adoreei seu blog!
    continue postando!


    beeijos

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  8. Anônimo14.4.11

    Que saudades de te ler, vez em sempre!!!


    =)


    Um beijo*

    Marí

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  9. Aff, belo retorno. Me vi de encontro ao mar.
    E o cordel fechou com chave de ouro...
    passo uma espuma de rima
    nos ferimentos da alma, lindo.
    bjs bom final de semana

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Ainda bem que existe a continuidade de algumas coisas, frascos retornáveis, de conteúdo incopiável.

    Há braços!

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  12. amei teu Blog
    realmente bom!
    te sigo
    me visita e segue?
    beijoos

    http://rgqueen.blogspot.com/

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  13. caracol menina20.4.11

    tive sorte de, nessa andança virtual e matina, encontrar blog tão lindos *_*

    ;D

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  14. Era como eu desconfiava: a descontinuidade é apenas uma forma de entrelinha. Assim como o ponto não finaliza a palavra.

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  15. Este comentário foi removido pelo autor.

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  16. Vendo que já não era possível fugir de seus domínios, a criatura de sopro corre até perder o fôlego e a força de seus passos caírem no vazio. Pára, e olha serena, antes de atirar-se nos braços do abismo. Como se estivesse atada apenas a um visgo imaginário, ela fecha os olhos, deixa se acariciar pelo vento gelado e sorri, débil, ao corpo já desprendido do espírito. Os pés lhe escaparam no instante exato em que sentiu as mãos anônimas daquelas sombras alongarem-se, para, com um só toque, empurrá-la à vertigem do penhasco.

    EM UMA VIOLENTA BATIDA, O CORAÇÃO SE PRECIPITA.

    Vamos sorrir a sua (...) Cheers!!!


    Nem pro Monstro de Chocolate
    Eu escrevi algo tão forte.

    Devo agradecer por me mandar a “Ice For Sale da Gelolândia”? Tenho a confessar que esta é uma maneira exótica de desejar a alguém que conviveu com tanta intimidade: FELICIDADES.

    Quanto ao Drink - Pode bebê-lo - não tem veneno.

    Era só minha voz autoral, tentando lhe dizer, talvez, que eu morreria por você.


    Perdoe este súbito coração de minha parte. Tinha esperanças que entendesse o que acontece quando somos desacreditados pelas pessoas que amamos de verdade.


    Era eu sorrindo à saúde de sua importância em minha vida.

    Era você chutando sonhos esfumaçados que brotavam do asfalto quente,

    quando me mandou a esta expedição na Península da Antártida. Num Camping, ainda por cima. Mas a Pipa tá achando massa o Himalaia. Tá aqui na companhia do Adorável Homem da Neve, Sullivan e do Mike, que te manda um beijo, pode aceitar não vou contar pra Célia.

    Só que faz um frio indescritível aqui dentro: do peito.


    "Não vás. E não fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse esperado aquele instante, único entre todos os instantes, ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor depois da fronteira pequena daquele instante, não fui. Não vás. Ainda que se tivesse levantado uma cegonha a planar como um abraço que nunca demos, mas que julgámos possível, ainda que todo eu a tenha olhado, ainda que lhe tenha dito espera por mim, hoje vou buscar-te, ainda que o crepúsculo nos tenha visto onde só vão os mais sinceros, entrei neste quarto, e deitei-me nesta cama, e deixei que o instante único passasse indistinto e que toda a minha vida se tornas­se um lugar penoso de instantes desperdiçados, instantes desperdi­çados antes do tempo, durante o fastidioso do seu tempo, depois da memória má do seu tempo, no tédio de não ter e de não esperar nada. Não vás. E não fui. (...)
    Abro e fecho a porta da rua. A noite é como a conheço: negra e profunda, a isolar-me dentro de si e a dizer-me que também eu sou a noite que a noite é. Não ponho as mãos nos bolsos, deixo-as e deixo os braços. Levanto a cabeça e olho a noite no céu, não as estrelas, mas o espaço negro que as separa."


    José Luis Peixoto. In.: Nenhum Olhar.


    Estendo-te as mãos ainda mornas. E te ofereço o meu melhor sorriso. Aquele. Que você sempre me arrancava quando ninguém mais achava que era possível.


    Pipa. A que te.


    Eu ia dizer outra coisa, mas as palavras se congelaram em meus lábios.


    ASSINADO - O ICE BERG ARTICO.

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  17. Lídia, não me deve agradecer por ter te enviado à Ice For Sale da Gelolândia, porque não foi exatamente lá que imaginei vê-la. Não mesmo.

    Há coisas que só entenderemos depois de certo tempo. Ou ao mesmo tempo em que nossos passos se aproximarem de algo que ainda é impossível vislumbrar, as idéias também. Todo cotidiano que não separa mas atende solícito à bifurcação. Minha avó sempre dizia, fale pouco e erre menos... Preferi errar e ainda faço as vezes. Humana. Exageradamente humana. Já dei voz às minhas feras para fugir desse inóspito permanecer em minha própria carne de mulher. Desisti. Me prefiro. Devias pensar assim, se já não pensa. Arrisco que sim. Assim sendo, não há palavras nossas, verdadeiras, que residam dentro de outro ser, ordenando ou decidindo. Não penso assim, não guardo cinzas de nada, ouviu? De nada. Estou atendendo solícita a esta bifurcação, que deve ter uma razão de ser. E se não estivermos rumo a hemisférios opostos, ainda vamos nos encontrar. Maiores. E as vozes alheias, menores. E as nossas vozes ao descuidado alheio ainda mais e mais, menores. Assim, coloquial mesmo. Assim como a alma costuma se expressar...

    Segue confiando. Mais em você, sempre. Menos em alguns ouvidos e no calor das emoções. É o que estou fazendo.


    Fica bem! Talvez seja sim, minha maneira exótica de desejar a alguém que conviveu com tanta intimidade: FELICIDADES.

    Outro beijo, outro abraço.

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