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Aqui a poesia é amadora. A música e a fotografia, amadoras. Tudo dentro deste peito é amador.

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sábado, 23 de abril de 2011

Ponte invisível



Ontem, esbarrei com 'ele' por aí... Depois de tanto tempo era a primeira vez que eu o entendia. 
Afinal, ele nunca havia ido embora de mim. Partiu de si. Sem deixar um olhar que atestasse um passado, nenhum sonho sequer. Foi-se apenas. Verticalizado pela culpa. Olhar lambendo os sapatos... Talvez por isso, eu nunca descobri a quem entregar o meu adeus. Mas foi ontem, ao formarmos essa ponte de olhares que dá acesso ao dentro do outro, que por um cisco de momento ele pescou-se de volta. Bem dentro dos meus olhos estava a mais bela face dele. E então eu o reconheci. Ele havia voltado. Não para mim. Para si. Como um filho arrependido que retorna à casa, perdoado. Agora ele já podia pedalar livre pela vida, sem as 'rodinhas'. Entendemos isso. E creio eu, assim muito docemente. Podemos enfim, assistirmo-nos sumir pequeninos no horizonte da estrada um do outro, vagararosamente, até nos tornarmos uma delicada lembrança de um sonho que se realizou. Pois sonhos que se realizaram, cumpriram o avesso de ser apenas sonho, para ser qualquer coisa boa na lembrança. 
E como eu, sei que é assim que ele gostaria de ser lembrado ou esquecido. 




Põe delicadeza no que vai escrever e onde quer que me esqueças... Thiago Pethit






Inspirado em encontro real e  também no belíssimo texto de Carmem: http://cacafarias.blogspot.com/2011/04/poe-delicadeza-no-que-vai-escrever-e.html ~ a quem abraço sempre e dedico.


21 comentários:

  1. Viajo por mundos imagináveis
    Meu olhar busca ver o belo
    Caminho sempre em nuvens de algodão
    As emoções sempre à flor da pele
    Para alguns sou tola
    Para outros sou uma louca
    Para os sensíveis sou poeta
    Sou tola... por acreditar na paz
    Sou louca...por querer um mundo
    melhor e mais justo
    Sou poeta...
    Por acreditar
    Por sonhar
    Por amar sempre!

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  2. Que saudade estava daqui. Das suas palavras delicadas e cheias de entrelinhas.

    Um beijo =*

    FELIZ PÁSCOA :)

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  3. Oi linda, saudades...

    Belo texto! Foi preciso raça num foi nega? Mas é assim que vc sempre foi, sua força nasce da doçura. Bom te-la perto!

    Abraço de urso

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  4. Ô minha Zi, mas doce que tu, é mesmo impossivel viu!
    Tu és capaz de pingar mel nas asperezas do dia a dia, eu só tenho aprendido...só tenho aprendido.

    Um momento de resgate do que do outro ficou em nós, esse resgates nos deixam mais livre , no ajudam a prosseguir, a nós e ao outro...

    Texto de beleza impar minha menina.

    Muitos beijos meus a ti.

    Erikah

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  5. Como é bom chegar aqui e encontrar seus escritos que me levam para dentro e depois me permitem ilusões de asas. Fiquei ali assistindo os movimentos e me sentindo dentro deles... Bacio carissima

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  6. Sabe minha guia espiritual à distância, ontem pedi a senhora minha mãe para que tentasse de novo lá no hospício. É que me deram alta quando eu ainda achava que era um leão-marinho. Essa coisa de nos assistir sumir pequeninos não combina comigo. Porque o sol sempre lança uma réstia de luz e memória que nos atacada nos momentos em que estamos mais distraídos. Sabe, acho que ainda vou tentar levantá-lo como costumo fazer com os passarinhos que caem do ninho. Mas numa outra vida, num outro tom de anil.


    Te abraço com carinho. E partilho a sua sentida despedida.

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  7. Pipa, seu cavalo ainda só fala inglês?


    Eu acho que hospício é o local mais seguro pra nós. Acho sim.

    Sabe, Pipa há algum tempo atrás essa coisas de sumir na estrada, um do outro e devagarinho, não servia. Mas as luzes se acenderam e a história terminou. O público se levantou. Só havia ficado eu...

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  8. Texto lindo e fofinho *__*
    thebelement.blogspot.com

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  9. Tô sempre aqui-aculá mocinha!
    Pode ficar sucegada que onde
    a gente gosta sempre volta!
    :D :D :D
    Um super abração!!!
    :D :D :D

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  10. Ainda que alcancemos o horizonte, ainda que se perdoe ou se pedale sem rodinhas, é difícil aceitar quem (se) parte.

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  11. Tem coisas que só tu sabe escrever menina Zi.
    estava com tanta saudade dos teus escritos pela net.

    Mil beijos!!!

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  12. Olá, moça...
    Não te respondi antes porque me encontrava/me encontro enferma.
    Fico extremamente feliz quando uma humana aprecia minh’alma^^
    (-:
    Volte sempre.
    Da próxima vez estarei em casa para juntas tomarmos umas xícaras de café, kombi-nado?

    Beijovial, mocita^^

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  13. É possível que tudo esteja completo.

    Há caminhos que só passam.

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  14. Uma vez me perdi dentro de mim e foi um olhar meigo e amável que me trouxe de volta!
    Me indentifiquei muito com o texto!!
    Beijos e ótima semana de muita LUZ!

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  15. Muito agradecido pela sua gentileza viu?! Fico contente em saber que às vezes, as sutilezas podem nos poupar uma tristeza e nos salvar um sorriso. A vida nos acolhe de tal jeito que o Seu Amor nos alcança através de nós mesmos. Ela nos aproxima quando o coração assim solicita. Fique bem. Muito Amor. Beijos...

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  16. Olá, sou um novo por aqui... a pouco descobri teus escritos, em versos e estrofes, em discursos e rabiscos!
    Comecei a segui-la após ler “Ponte invisível” onde por alguns momentos senti como se fosse para mim...
    Eu sou um “ele” que por alguns dias, talvez meses ou anos, esteve perdido de si.
    Estou aos poucos voltando. E sinto que é como se parte tivesse ficado perdido, às vezes sofri uma queda que gerasse uma amnésia temporária, pois não me lembro de nada que ocorreu enquanto tive fora.
    O que posso dizer? Que aos poucos tomo conta de volta da minha vida, após o retornar para mim.
    Mas posso dizer que sinto, pois o tempo que foi perdido não volta. Mas lamentar não fará com que possa continuar a viver, e o que importa é que hoje as rédeas estão sobre o controle de um “eu” consciente de “mim”.
    E o que mais mexe, é sentir que há alguém que teve outro ser em sua vida perdido de si e entre palavras rabiscadas perceber que hoje é possível com mera troca de olhares é possível dizer que ficará apenas a delicada lembrança de um sonho que se realizou, as vezes ao avesso para cumprir a missão de ser uma coisa boa na lembrança.
    E como eu gostaria que um dia fosse assim: lembrado ou esquecido.

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  17. Uma gentileza para ti: http://arkhipelago.blogspot.com/2011/05/o-milagre_03.html

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  18. Max!

    Estou tocada com seu comentário, uma ligação suave se desenhou dentro de mim, em tons e formas nunca por mim experimentadas. Uma ligação de palavras e sentidos. Você, definitivamente preencheu as lacunas do meu texto.

    Sabe... Por isso escrevo. Em algum lugar de um universo que desconheço, alguém se vestirá de minhas palavras. Como se fosse meu texto a lê-la e não o contrário. E embora a essência de tudo seja um tanto triste, estou feliz. E creia, lá daquele lado, alguém te esquecerá ou lembrará aos poucos, se não da mesma forma mas semelhante. Disso é o tempo responsável, aquele que cicatriza feridas e renova boas lembranças.

    P.S.: E veja, há beleza no se perder, pois reencontrar-se Max é maior que tudo. Mais lindo ainda do que se nunca tivéssemos nos perdido.


    Te abraço com carinho

    Ziris

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  19. Que texto mais lindo!

    Cada dia me apaixono mai por aqui...

    Beijo flor!

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  20. Em certo momento, em conflito comigo mesmo, ouvi a milésima pessoa a me sugerir anotar meus desabafos ao invés de falar para indivíduos que não teria condições de ouvir o que refletia. Assim comecei a versar e rabiscar contos e poemas, pensamentos meus ou juízos sobre brocardos de outros.

    A partir deste momento comecei a me identificar com outros seres habitantes destes planetas que faziam me sentir menos E.T., por ver que não é só os meus globos oculares que capturam as imagens do inimaginável só com o olfato apurado despercebivel pelo meu tato nu.

    Fico lisonjeado por ter lhe tocado com meu testemunho feito de ponto, logo após ler teus escritos. Pois confirma que a sensibilidade de quem escreve é possível até tocar a si mesmo, quando volta a ti o retorno de sua obra.

    Mais cedo ou mais tarde sempre há de aprendermos que o tempo para ser feliz é curto. Assim como o tempo que se foi é como a água que passa por debaixo da ponte, nunca mais volta a passar...

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